O MERCADO CONTRAPRODUCENTE

08/06/2012 03:59

A expressão que intitula o texto é pouco comum, e abre uma diversidade de nuances neste momento histórico marcado pela crise do capitalismo. Na década de 40 um sábio escritor alemão Joseph Alois Schumpeter em seu livro A Teoria do Desenvolvimento Econômico, criou o conceito de destruição criativa, termo que quebra a ideia dos antigos doutrinadores, que defendiam a tese que excelência na produção de bens e serviços estava estritamente relacionada à durabilidade. Para Schumpeter, o importante é ter flexibilidade, se renovar, e que essa coisa de resiliência programática só retarda o desenvolvimento.

Destruição criativa nada mais é que a troca do velho pelo novo, e sabe quando isso começou? A partir da década de 90 quando as empresas consagradas pela excelência e durabilidade em seus produtos, entraram em declínio, por não estarem hábeis a concorrer com novos grupos que produziam bens, menos bem feitos, isso mesmo, produtos de qualidade inferior e pouca durabilidade, essa é a característica do novo mercado. A baixa qualidade de qualquer invenção barateiam os custos, aumentam a capacidade de venda e ganham cada dia mais o gosto das pessoas, e sabe porque? As pessoas em geral gostam do novo e este por sua vez, vem acompanhado de acessibilidade. Quantas pessoas tinham acesso ao celular na década de 90? hoje as operadoras somam mais de 250 milhões linhas móveis, entre a tecnologia pré e pós pago.

Tudo se renova ano após ano e o ser humano sente a necessidade de reciclagem tecnológica a cada lançamento que lhe é ofertado, isso porque o mercado está cada vez mais exigente, e a capacidade de resiliência não é mais cobrada das máquinas e produtos em gerais, mas sim do individuo. Vencedor hoje é quem tem o maior numero de informações, se veste melhor, possui o melhor carro e as melhores tecnologias. Vivemos em uma era em que crianças de 7 anos tem mais informações em sua “cachola” do que um imperador da antiguidade clássica.

A celeridade de informações promovida pelo avanço tecnológico joga no mercado advogados, economistas, engenheiros, arquitetos, publicitários de 21 anos, ambiciosos e bem remunerados com estilo de vida próprio e muito, mas muito materialistas. É o mercado construído, para descontruir, certo que com a construção do novo, que se renova em infinitos amanhãs, porque o amanhã nunca chega.